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CAMP

Grumatã - Ações 2009 PDF Imprimir E-mail

Foram realizadas 48 atividades, envolvendo 847 pessoas de 12 comunidades de pescadores distribuídas em sete municípios da região metropolitana de Porto Alegre. Ilha das Flores, ilhas da Pintada, ilha Grande dos Marinheiros, Lami, Belém Novo, município de Porto Alegre; Varzinha do Jacaré e Vila de Itapuã, município de Viamão; Prainha do Paquetá, município de Canoas; Vila de Santo Amaro, município de General Câmara e os municípios de, Guaíba, São Jerônimo e Nova Santa Rita e representantes de  instituições relacionadas com a pesca artesanal na região. Foram realizadas 33 reuniões de planejamento, monitoramento e sistematização do projeto com as comunidades de pescadores e entidades envolvidas nas questões da pesca, principalmente na região. Ficaram 22 homens, pescador-pesquisadores e quatro mulheres pescadoras-pesquisadoras. Totalizando 26 pessoas representando as 12 comunidades pesqueiras da região do Delta do Jacuí. No processo de construção da gestão compartilhada dos recursos pesqueiros da região do Delta, foram desenvolvidas atividades não programadas no projeto, sendo realizadas sete reuniões extras com 90 pessoas envolvidas. Nessas atividades foram discutidas e encaminhadas propostas para a construção do Estatuto do Fórum do Delta. 
Então depois de muitos encontros foi criado o Fórum do Delta do Jacuí, Lago Guaíba e norte da Lagoa dos Patos, sendo este um espaço de tomadas de decisões entre comunidade de pescadores, instituições governamentais e não governamentais ligadas a pesca. Desta forma o principal objetivo do projeto Grumatã foi alcançado, que sugeria a construção de um espaço para dar inicio ao processo de desenvolvimento de um modelo de gerenciamento com gestão compartilhada do uso sustentável do recurso peixe e promover a recuperação do estoque pesqueiro com o repovoamento, a preservação dos locais de reprodução e melhoria da renda dos pescadores de forma a garantir por mais tempo os recursos naturais utilizados.
Nas oficinas realizadas com os pescadores artesanais foram discutidas e encaminhadas questões pertinentes a fatores ambientais, que afetam diretamente a atividade econômica e social das famílias de pescadores; fatores de manejo da atividade que envolve diretamente o poder público e questões de políticas públicas voltadas para essa atividade. Abaixo segue os apontamentos dos pescadores das doze comunidades envolvidas no projeto Grumatã.

AMBIENTAIS

  • Destruição dos banhados causando a diminuiu da pesca, espécies de peixe como traíra, jundiá são raras de encontrar e entre outras que também são pouco capturadas;
  • Barragens impedem a piracema, que é a subida aos locais mais altos para os peixes se reproduzirem;
  • A descarga do barro do arroz pré-germinado faz com que o peixe tenha cheiro de veneno. Este cheiro também pode ser dos efluentes da celulose;
  • O gado come o junco onde os peixes se reproduzem, os fazendeiros deveriam cercar a costa da lagoa (ex. Bacia do Rio Sinos – 30m);
  • Barcos largam óleo nas águas, contaminando a fauna local (lavagem casa de máquinas);
  • A gestão da barragem não considera os pescadores, levantam e abaixam o nível do rio em função da navegação e dos levantes dos arrozeiros, secam o rio na época da desova dos peixes, colocando espécie de peixes em ameaça de extinção na região;
  • Os fertilizantes agrícolas multiplicam as algas e dão gosto ruim nos peixes;
  • Barcos que extraem areia, não respeitam o período de defeso;
  • Exploração de areia no rio diminui a disponibilidade de peixes;
  • Redução dos locais de pesca, por ação das areeiras que desbarrancam o rio, causando destruição da mata ciliar;
  • Embarcações (principalmente areeiras) que não respeitam o zoneamento dos rios, entrando em área restrita a pesca, geralmente a noite, arrebentando as redes;
  • Mineração de areia com o método de sucção (chupão) causa mais impacto para as espécies de peixe, matando tanto os alevinos quanto os peixes maiores;
  • Abertura dos diques para recuperar banhado Arroio das Traíras como área de reprodução, livre de pesca (área de preservação);
  • Lavoura de arroz contamina os ambientes naturais com veneno utilizado, principalmente, no cultivo do arroz pré-germinado;
  • Precário ou falta de tratamento de efluentes industriais e domésticos urbanos;
  • Proibição geral da pesca na piracema;
  • Falta proteção nas áreas de repovoamento dos rios e lagos, (Saco do Quilombo, ilha das Flores).

DE MANEJO

  • Os pescadores jovens não respeitam o período de piracema;
  • Pesca de arrasto de camarão na Lagoa dos Patos, pega os filhotes do bagre que desovam nas praias da Lagoa, impedindo que o bagre se desenvolva no mar;
  • A rede de espera não acaba com os peixes, não precisando ser proibida;
  • Deficiência na fiscalização - controla pouca a pesca amadora;
    Pesca predatória com rede de malha muito pequena, feita por alguns pescadores profissionais e a grande maioria dos pescadores amadores;
  • Aumentar o defeso para 4 meses (igual ao período da espécie de peixe - Bagre);
  • Proibição do covo.

POLÍTICOS

  • Falta de financiamento para pescadores pela inoperância do escritório da EMATER do município (General Câmara ). Falta de assistência técnica;
  • Problemas com a fiscalização (inclusive com abuso de autoridade), muito dura com os pescadores profissionais e muito leve com os areeiros e arrozeiros;
  • Falta fiscalização para bombas que bombeiam água para o arroz irrigado, principalmente na obrigatoriedade de telas nas bocas para não prejudicar as etapas de desenvolvimento da fauna, principalmente dos peixes;
  • Fiscalização na época da piracema ocorre apenas para a pesca artesanal profissional e a pesca amadora não é fiscalizada, inclusive com rede;
  • Falta de fiscalização nos barcos chupões que não respeitam as áreas que foram destinadas para preservação, principalmente quando chove, encostam-se a qualquer barranco retirando areia inclusive de canais;
  • Necessidade de fiscalização para evitar a retirada de areia à noite.
 

Acesso Restrito






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